26/02/2018

Médico de Jacobina emite nota sobre caso de bebê que morreu no ventre da mãe



Na tarde desta segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018, o Dr. Ricardo Valois emitiu uma nota, uma carta aberta, sobre a morte de um bebê no ventre da mãe, durante o seu plantão no Hospital Municipal de Jacobina. 

Leia o texto a seguir...

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE JACOBINA E REGIÃO

Diante da celeuma criada por uma matéria de um blog que acabou tendo repercussão muito negativa, inclusive envolvendo o meu nome, venho me dirigir às únicas pessoas devo esclarecimentos: a população de Jacobina e região. A matéria em si é recheada de calúnias, pois foi redigida de forma a se obter repercussão a todo custo sem se importar em ouvir a verdade, pois não daria o ibope desejado. 

Atemos aos fatos: a paciente M.A.O. foi atendida no dia 14/02/2018, numa quarta feira, por Dr. Gileno, ela estava assintomática e foi calculada a idade gestacional baseada na primeira ultrassonografia realizado no pré-natal estando com 37 semanas. A média de uma gravidez é de 40 semanas, podendo aguardar o trabalho de parto até as 42 semanas (de acordo com a OMS), como a paciente estava assintomática e não existia nenhum fator de risco, a mesma foi orientada a retornar para casa e aguardar as contrações. 

No dia 19/02/2018 foi atendida por Dr. Péricles com quadro de dor pélvica, porém não foi constatado o trabalho de parto pois não havia contrações e tão pouco a dilatação cervical, porém adotou-se a conduta de medicar com analgésico e observar por algumas horas, a paciente melhora o quadro da dor, fica sem queixas nenhuma e mesmo assim foi realizado ultrassonografia no mesmo dia que evidenciou feto com 37 semanas e 5 dias sem nenhuma anormalidade ao exame, mesmo assim foi disponibilizado a opção de ser internada para observar durante a noite se iria entrar em trabalho de parto ou não, já que a paciente mora em um distrito do município, longe do hospital. 

A mesma recusou o internamento naquele momento e combinou com  Dr. Péricles o agendamento da cesária eletivamente no dia 23/02/2018 (sexta-feira), pois a mesma relatava uma história obstétrica ruim em gravidez anterior, sendo então liberada para sua residência. A paciente retorna às 14:00h do dia 22/02/2018 (quinta feira) sendo prontamente atendida por mim com queixa de ausência dos movimentos fetais há 12 horas e não consegui auscultar os batimentos cardíacos fetais, sendo solicitado uma ultrassonografia, porém o serviço de ultrassom não funciona à tarde e o médico responsável Dr. Helton não se encontrava mais no hospital, feito contato com o mesmo e esse se disponibilizou retornar à noite para realização do exame que foi obtido por volta das 20:00h, quando confirmou o óbito fetal, sendo a paciente e sua acompanhante devidamente informadas do ocorrido, sendo internada para realização de exames laboratoriais e possivelmente indução do parto (em toda a literatura médica indica parto natural para óbito fetal quase que absoluta, sendo a cesária uma indicação em raros casos). Durante a noite a paciente entrou em trabalho de parto espontaneamente tendo parto natural no final da manhã da sexta-feira e constatado que o cordão umbilical estava dado 3 voltas em torno do pescoço (fato que pode ter levado ao óbito), tal situação não é diagnosticada com ultrassonografia convencional. 

Diante do fato exposto fica claro que não houve erro de cálculo da idade gestacional como titulou a matéria, tão pouco negligência médica ou descaso à assistência e apenas atendi a referida paciente quando essa chegou aos meus cuidados já com óbito fetal. 

De acordo com um parecer do CREMEB diz : 

Para a caracterização do fator ou fatores que determinaram o óbito fetal, julgamos ser indispensável o estudo histopatológico da placenta ( para a pesquisa das infecções congênitas ou de outras patologias feto-placentárias, como os infartos placentários, a hidropsia, etc.), bem como a necrópsia do feto para avaliar, principalmente, a presença de malformações congênitas que possam ser responsabilizadas pelo decesso fetal (a exemplo das malformações cardíacas, ou outras lesões em órgãos vitais que possam denunciar, por exemplo, um estado de anóxia fetal precedente ao óbito, nos casos de sofrimento fetal agudo). A não realização do estudo histopatológico da placenta e da necropsia fetal tornam o diagnóstico da causa mortis apenas especulativo, jamais de certeza.

Com isso registro meu repúdio à todo órgão de imprensa que  sem escrúpulos num momento de dor de uma família expõe suas vidas sem autorização e além disso faz matérias caluniosas com único intuito de polemizar e aterrorizar, por que isso dá ibope, sem ouvir a verdade que não é interessante,  joga a imagem de profissionais num tribunal da opinião publicada, onde são julgados e condenados sumariamente e sem direito à ampla defesa. 

“uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo da verdade ter oportunidade de se vestir”. (Sir Winston Churchill)

Dr. Ricardo Valois Ferreira
Médico obstetra do Hospital Municipal Antônio Teixeira Sobrinho


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