Padre Alfredo: O missionário que mudou a história do Paraíso e da Região


Padre, missionário, pai, amigo, médico, profeta, esperança, fé, essas são apenas algumas das personificações que são feitas pelas pessoas que tiveram a honra de conhecer e trabalhar ao lado do Padre Alfredo Bernardo Maria Haasler, que foi um dos grandes homens que já passaram pela comunidade do Paraíso e até hoje são vistas suas marcas, sendo sempre lembrado com muita saudade por todos. 



Padre Alfredo deixou sua terra natal, a Áustria, em 1938, com 31 anos, para vir a Jacobina fazer o serviço de missionário do sertão, cumprindo sua missão por quase 60 anos. Ele foi o criador das Escolas Paroquiais, uma iniciativa que mudou a vida de milhares de sertanejos, que saíram do analfabetismo, pois o mesmo entendia que só a educação era capaz de libertar o homem, não tinha como catequizar se o homem não soubesse ler e escrever, ter uma boa alimentação e saúde. Por isso toda sua obra realizada pela região teve um caráter social, visando o crescimento de uma sociedade crítica, com educação. A rede de escolas paroquiais chegou a atingir o número de 48 pelo munícipio de Jacobina e microrregião, com um total de 52 professores, tendo contado com 3800 alunos atuantes. As escolas sobreviveram com as ajudas dos programas Miserior e Adveniat, mantido pela Igreja Católica para auxílio de países necessitados. 


Em entrevista com a professora Isabel Lima, que conviveu 25 anos ao lado do padre, sendo uma das primeiras a ensinar na Escola Paroquial de Capim Grosso, contou que o Missionário Alfredo sempre visitava a localidade uma vez por mês desde que fundou a escola por volta de 1954. Salientou que ele era tido como o médico da região, socorrendo a todos nas horas mais difíceis, “ele doava remédios, alimentação, ele se preocupava muito com os pobres, quando alguém adoecia ele custeava, tomava todas as providências necessárias para a vida do cristão”, lembrou Isabel. Frisando ainda que ele foi o responsável pela primeira igreja de Capim Grosso, a “Igrejinha”, em 1950, construída com o restante dos recursos financeiros que sobraram da igreja de Várzea Nova, além da Igreja Matriz, da qual na mesma praça tem uma estátua em sua homenagem.


O Padre tinha uma vida muito regrada, passava todo o mês visitando as diversas igrejas da região no lombo de um jumento, levando às comunidades remédios, alimentos e palavras de fé, deixando sempre sua marca de caridade e devoção aos pobres, “ele sempre levantava as 6 horas, ia para igreja se confessar, em seguida celebrava a missa, almoçava, a tarde fazia dezenas de batizados, depois distribuía alimentos e as 6 horas da tarde montava no jumento e partia, só após muitos anos ganhou a doação de um jipe”, pontuou.

A professora considerou ainda como sendo Padre Alfredo o “maior secretário de educação da região”, tendo em vista a criação das escolas, praticamente as únicas circunvizinhas,  com uma disciplina muita rigorosa, voltada para a catequização, “era tudo muito rígido, bonito, todo mundo se orgulhava da Escola Paroquial, teve época de ter em Capim Grosso 250 alunos, eu cheguei a ensinar uma turma de 80 alunos”, comentou.

Infelizmente a Escola Paroquial fechou suas portas no ano de 1975, após a troca da Paróquia de Santo Antônio pela de São Cristóvão, que não quis dar continuidade a instituição. “A maior obra deixada por Padre Alfredo foi à educação e a religião, essa era a finalidade das Escolas Paroquiais”, finalizou Prof.ª Isabel.

No livro feito em sua homenagem “O Missionário do Sertão” há uma passagem que denota bem quem foi o Padre Alfredo, relembrando um fato que aconteceu próximo à data de sua morte em 16 de junho de 1997: “Em 1996 quando esteve hospitalizado em Salvador, dizia o médico Heonir: “Este padre missionário Haasler tem algo de diferente que não é humano. É coisa Divina “”.



Reeditada: Paraíso Urgente
Fonte: Folha Regional
Com informações do Livro: “O Missionário do
 Sertão: Pe Alfredo Bernardo Maria Haasler"